United Week #2: The Asylum For Wayward Victorian Girls


Oi, amigos, como estão? Espero que estejam bem =)

E chegamos ao segundo dia da United Week 0/

Antes de tudo, se vc não viu o primeiro post do projeto e tá perdido, corre lá e depois volta pra cá. Mas se vc viu e sabe do que se trata, então dá pra continuar lendo.

O tema do segundo dia da UW é o melhor que poderiam ter pensado logo pro começo: Livros! Mas assim como no primeiro post (sobre universo feminino), eu tô a fim de fugir do óbvio, então em vez de fazer resenha de alguma coisa legal que li esses dias ou uma lista do que mais gostei de ler esse ano ou do que queria ler, vou falar de um das melhores obras literárias que já encontrei e que faz parte de um projeto pessoal de tradução: o livro autobiográfico da cantora Emilie Autumn, The Asylum For Wayward Victorian Girls.

Eu comecei a traduzir esse livro há tempos, talvez em 2013 ou um pouco antes (por favor, não confiem na minha memória), e o projeto se estendeu até agora pq eu tenho meus momentos com ele: fico dias trabalhando em cima dele, e depois largo por um tempo. Mas nunca desisti totalmente. Nem pretendo, agora que tô na metade e percebi que meu nível de inglês melhorou um tantinho e minhas consultas ao Google Tradutor já não são tão frequentes, pelo menos nas frases mais simples. Até então, não fiz nenhuma revisão nas primeiras partes que traduzi, pois achei melhor deixar pra fazer isso quando terminar tudo.

Sobre a Emilie:

Já faz um tempo que quero falar dela por aqui e não achava oportunidade, mas como estive empenhada na tradução do Asylum esses dias e tô num projeto bem bacana no grupo, simplesmente tive que escrever esse post.

A Emilie Autumn é uma cantora, poetisa, atriz e violinista estadunidense que começou como musicista clássica e que antes de seguir na carreira solo, participou de bandas de apoio de artistas renomados como Courtney Love do Hole e Billy Corgan, dos Smashing Pumpkins.

Ela é conhecida pelo visual teatral majoritariamente inspirado na Era Vitoriana, com referências steampunk e dark cabaret, casando bem com a curiosa mistura de gêneros que sua música segue. Emilie define seu estilo musical como “Victoriandustrial”, mesclando instrumentos clássicos como violino e cravo a arranjos eletrônicos e violino elétrico, resultando numa sonoridade emocionante e instigante, que em diversos momentos lembra como a trilha sonora de algum thriller vitoriano.



Sobre o livro:

The Asylum for Wayward Victorian Girls (ou O Asilo Para Garotas Vitorianas Rebeldes, em tradução livre) é o terceiro livro lançado por Emilie, e o primeiro em prosa. Ele saiu em 2009, logo quando a Asylum Tour (que não passou pelo Brasil) começou, e no ano seguinte ganhou uma segunda edição. A razão pra eu querer traduzi-lo é que o livro nunca teve uma edição brasileira, e até onde eu sei, não há previsão pra ser lançado por aqui. Shame.

The Asylum é um romance autobiográfico que segue a linha de um thriller psicológico com duas histórias que se conectam trazendo um ar fantástico para uma obra que supostamente deveria ser só biográfica. Mas acho que todo mundo sabe que nem toda fantasia é tão ~fantasiosa~quanto parece.

A história moderna (real) é inspirada no período em que Emilie ficou internada num hospital psiquiátrico após uma tentativa de suicídio. Poucos dias depois, ao solicitar a uma enfermeira que a permitisse ficar com um de seus cadernos para passar o tempo (pois quando vc entra num hospício, o acesso aos seus pertences depende inteiramente da bondade de um enfermeiro), ela encontra um maço de cartas antigas entre as páginas do bloco. As cartas na verdade são páginas do diário de uma garota chamada Emily (apelidada de “Emily com Y”), que viveu no período vitoriano e por circunstâncias adversas foi internada num hospital psiquiátrico famoso pelos métodos “inovadores”: O Asilo Para Garotas Vitorianas Rebeldes.


Capa do livro The Asylum For Wayward Victorian Girls

De acordo com as cartas, Emily era uma jovem que vivia com uma numerosa família numa zona pobre de Londres e que possuía talento com o violino (em paralelo com Autumn, que toca violino desde os 4 anos). Ela costumava acompanhar o pai a uma taverna onde apresentava peças musicais, e numa dessas apresentações, o pai foi procurado por um homem com aparência de cavalheiro que, ao que tudo indica, não lhe era desconhecido.

Mais tarde, Emily descobre que os pais concordaram em entregá-la a um Conservatório Musical que supostamente oferecia amparo a moças carentes e as direcionava à carreira na música. No Conservatório, ela conhece garotas de todas as idades e formações, com sonhos semelhantes aos seus, e faz amizade com Sachiko, que sofre bullying das colegas por sua ascendência oriental.

Só que a vida no Conservatório é qualquer coisa, menos agradável. Durante a leitura, a gente percebe que as alunas têm seus passos vigiados 24h e sua autoimagem sistematicamente inferiorizada e distorcida, o que as impede de perceber os níveis abusivos de cobranças quanto à sua aparência e ao desempenho com seus respectivos instrumentos. Em algum momento, por exemplo, Emily explica que as meninas são obrigadas a usar espartilho até na hora de dormir.

Com o tempo, a protagonista percebe que garotas saem do Conservatório, dão lugar a outras e ninguém diz uma palavra sobre o que acontece com as que vão embora. Todas pressupõem que elas estejam ocupadas demais com os assuntos de carreira para darem atenção às ex-colegas. É o que acontece com Sachiko, até um dia em que Emily, já conformada com isso, recebe uma carta da amiga com um aviso perturbador: FUJA.


Uma das fotos de Emilie encontradas no Asylum

Emily só entende o que a ameaça significa quando recebe a notícia de que sua vez de deixar o Conservatório havia chegado, pois um aristocrata identificado como Conde de Rothsberg se propõe a ser seu "guardião". No primeiro dia em sua nova residência, a moça entende para que vinha sendo preparada desde a infância: o Conservatório era apenas uma das muitas instituições espalhadas pela Inglaterra que recolhem garotas pobres e as treinam para a prostituição. Emily é informada disso por Anne, uma empregada na casa do Conde que passou por um Conservatório e que havia sido rebaixada à condição de criada por não estar à altura dos "padrões" de seu "tutor".

Emily e Anne conseguem fugir da propriedade após escaparem de uma sessão de tortura, levando a Chave da casa consigo. Quando se vêem encurraladas pelo Conde e outros aliados, as garotas pulam no Tâmisa, como último recurso. Anne infelizmente se afoga, mas Emily sobrevive, e depois de vagar por Londres à procura de abrigo, é levada para a delegacia, onde pouco depois uma mulher que se apresenta como Madame Mournington a leva para o Asilo. Mournington é na verdade a mãe do Dr. Montgomery Stockill, diretor do Asilo, um homem com fixação em experimentos químicos e profundo desprezo pelas internas.

No Asilo, Emily conhece mulheres de todas as idades, posições sociais, profissões e histórias de vida imagináveis. Algumas são mães, outras são noivas internadas pelos próprios parceiros, ainda outras são prostitutas, dançarinas, artistas de circo, mulheres diagnosticadas com melancolia (depressão clínica), garotas com deformações físicas, entre muitas outras. Ela logo percebe que nem todas são portadoras de doenças mentais, contudo foram parar na instituição por representarem, de uma forma ou de outra, uma "ameaça" para o status quo.


Tomar chá só se for assim u.u

Se eu terminei de traduzir essa maravilha? Não. Se eu tenho previsão de quando o trabalho termina? Também não. Só que como sou dessas, claro que já me adiantei em alguns trechos e li parte do final, por isso poderia dizer algumas coisas sobre a conclusão da história. Acontece que mesmo o Asylum não tendo edição BR eu não tenho vontade nenhuma de atacar vcs com spoilers selvagens quando ainda preciso concluir esse post.

O Asylum é muito bem escrito e ~diagramado~, com as fontes dos textos lembrando páginas datilografadas e folhas amareladas, cheias de ilustrações e fotografias da própria Emilie e anotações manuais tiradas direto de seus diários. Pela capa, aliás, vcs já podem ver que o livro é uma obra de arte em si. A narrativa tem um veio histórico e social muito forte, tanto pela corrente moderna, onde Emilie expõe as condições degradantes a que os pacientes de hospitais psiquiátricos são submetidos, como a falta de higiene, organização, segurança e atenção especializada por parte da equipe médica, quanto pela corrente vitoriana, com fortes críticas ao machismo e à hipocrisia presentes no âmbito familiar, religioso, na comunidade médica e na sociedade como um todo.

Caso vcs queiram entender de onde saiu a inspiração toda pra esse trabalho: a Emilie nunca teve uma vida fácil. Quando criança, sofreu abuso de uma pessoa próxima, já adulta foi diagnosticada com transtorno bipolar e ainda teve de enfrentar o cutting (a prática da automutilação). Suas experiências de vida são uma fonte quase inesgotável de material para suas músicas, cheias de metáforas ácidas, mas por vezes emocionantes.

O Asylum tá disponível em PDF e versão física na loja oficial, The Asylum Emporium, bem como a recente versão em áudio, uma coletânea de seis discos com a história narrada pela própria Emilie.

E esse é o segundo dia de United Week! Espero que tenham gostado, e me contem se já conheciam a Emilie Autumn e se têm interesse em romances psicológicos, críticas sociais ou se são apaixonados pelo período vitoriano assim como eu.


Um beijo e até o dia 3! =)





Comentários

  1. Adorei a dica, mas fiquei frustada por não ter em português :( meu inglês não tem nível para eu tentar ler um livro rsrs não sairia nem da primeira página rsrs mas fiquei mega curiosa pela história e agora só me resta torcer para que lancem algo em português rs

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    1. É uma frustração pra todos os Plague Rats do Brasil, na verdade </3 Talvez a falta de interesse em publicar o livro por aqui não venha da própria Emilie (que já passou pelo Brasil pra show e deu entrevistas por aqui), mas pelo fato de ela não ser tão conhecida do grande público, sabe? Isso acaba deixando incerteza quanto ao sucesso de vendas, o que é uma pena por ser um trabalho tão bom, mas sabe como são essas editoras .-. De qualquer forma, também estou preparada pra qualquer novidade quanto a isso! haha
      Um beijo!

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  2. E se eu falar pra você que fui no show dela, que teve no Inferno, em São Paulo? <3
    Sempre namorei ler livros dela, e agora bateu uma vontadezinha de começar!
    A Bela, não a Fera | Youtube A Bela, não a Fera | Fã Page no Facebook

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    1. Nuss tu foi?? Uma amiga minha falou que o ingresso saiu em conta, até! Infelizmente só soube muito tempo depois que ela veio pra cá, mas quem sabe na próxima?
      Um beijo!

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  3. Nossa! Eu realmente vou acabar te mencionando em todas as categorias do resumo do United Week, porque cada vez que leio os seus posts tenho que me abaixar para não tomar todos os tiros que você dá! hahaha
    Brincadeiras e elogios a parte, eu realmente gostei dessa cantora e desse livro! Espero que você consiga traduzir logo (mas se precisar de ajuda, pode me chamar #sério).
    Deu para ver o quanto você gosta da história pelo seu modo de escrita, adoro-amo pessoas que demonstram suas paixões.
    Abraços,
    Nanda
    nandalandia.com

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    1. Quando pego os capítulos pra traduzir, sinto a responsa que é hahahaha A Emilie é o talento em pessoa, então não tinha como esperar menos dela num livro autobiográfico, né? *0* Procure saber mais sobre ela que ce vai se apaixonar haha
      obg pela visita!
      Um beijo!

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